Flor no Sertão

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Quem ouve quando preciso falar,

Uma voz de desabafo aqui ou acolá?

Quem sabe meus segredos

E não os usa contra mim?

Quem perscruta minha intenção

E não deturpa palavras do meu coração?

Quem estende a mão antes do dedo,

Acolhendo-me ante os olhos do desterro?

Quem instiga a dar a outra face

Para curar o que me resta de ruindade?

Quem faz companhia na solidão,

Ensinando-me a colher flor no sertão?

Quem me carrega nos braços,

Quando a dor, em meu semblante,

Faz os passos cambaleantes?

Quem torna o castigo em abrigo,

Quando me aparta do perigo?

Quem traz o dom conciliante da calma,

Quando a carne viola a razão da alma,

Dobrando meus joelhos ao chão,

(O templo certo do meu perdão)?

Quem ensina a conversar com homens

E a não se corromper?

Quem ensina a conversar com anjos

E a não se engrandecer?

Quem orquestra as batidas do meu coração

No passo desta vida de artistas e homicidas?

Quem me restitui as asas no sonho lunar,

Dom da eternidade sob o sol de cada dia?

Quem faz escutar o sagrado coração

No cale-se da divina comunhão?

Quem é a Luz que me abarca por inteiro

Quando em mim pulsa o Homem verdadeiro?

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Registro autoral em nome de Florestan Japiassú Maia Neto.

Revisão ortográfica: prof. Marcelo Henrique (@poetamarcelohenrique).

Nota: esse salmo é inspirado no hino 88, “Chamo Estrela”, especialmente o último versículo (3): “Para sempre, para sempre/Amigo do meu irmão/Que ele é a minha luz/Neste mundo de ilusão”.

Arte da foto: Luis Pavão Luba.

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