Hinos Novos

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Atualizado em 18 de setembro de 2026. 

INTRODUÇÃO

Dia dos Pais (2026). Mestre Irineu foi e é um grande pai, que educa através de seu exemplo de civilidade, trabalho e abnegação na vida espiritual. Deixou-nos como herança – “sou dono da riqueza” (hino 40: 3) – em seu testamento musicado, a parte que cabe a cada um que souber ouvir com o coração e capitalizar em bons pensamentos, boas palavras e ações.

No âmbito teológico, o termo “suma” ganhou destaque através do vultoso Tomás de Aquino (1225-1274) e sua monumental Suma Teológica. Suma significa “resumo, síntese ou o elemento mais essencial de algo”. É o que representa os Hinos Novos de Mestre Irineu, assim denominados por terem sido recebidos (entre 1968 e dezembro de 1970) após aproximadamente cinco anos de intervalo desde a apresentação do hino 116, Sou Filho do Poder, finalizando brilhantemente seu colossal O Cruzeiro. Esse testamento espiritual em forma de hinário é um quebra-cabeça divino, no qual cada hino é uma peça que, por sua vez, contém subpeças (cada estrofe). No hino Vou Seguindo, o Mestre desafia: “Vou seguindo, eu vou seguindo/Vamos ver se nós acerta/O caminho de Jesus Cristo/Aonde andou com seus profetas” (85: 2). No hino Sexta-feira Santa fornece uma pista ao usar a mesma expressão “vou seguindo”: “Vou seguindo, vou seguindo/Os passos que Deus me dá/A minha memória divina/Eu tenho que apresentar” (104: 2). É a ativação, ou seja, a conscientização dessa memória que lhe permite três hinos depois, declarar solenemente: “Minha Mãe, vamos comigo/Para sempre eterna luz/Para eu poder assinar/Para sempre a santa cruz” (107: 2).

Quem assina, testemunha. Segundo o Dr. Jack Miles em sua obra Cristo, Uma Crise na Vida de Deus: “A palavra grega martys, da qual mártir é derivada, significa “testemunha”. O mártir que sofre e morre por sua fé testemunha diante de outros homens a profundidade de sua devoção a Deus” (MILES, 2002: 210). Em sagrada “imitação de Cristo”, expressão eternizada pelo homônimo best-seller do monge medieval Tomás de Kempis, Mestre Irineu sacramenta, no hino Pisei Na Terra Fria,  seu testemunho: “Do sangue das minha veias, eu fiz minha assinatura…” (129: 3).

NOTA: Os textos abaixo são estudos resumidíssimos dos hinos, retirados de escritos originais mais amplos que possuo em meus arquivos.

 

HINO 117 – DOU VIVA A DEUS NAS ALTURAS

 

DOU VIVA A DEUS NAS ALTURAS

E À VIRGEM MÃE NOSSO AMOR

VIVA TODO SER DIVINO

E JESUS CRISTO REDENTOR

 

EU PEÇO A DEUS NAS ALTURAS

PARA VÓS ME ILUMINAR

BOTAI-ME NO BOM CAMINHO

E LIVRAI-ME DE TODO MAL

 

EU VIVO AQUI NESTE MUNDO

ENCOSTADO A ESTE CRUZEIRO

VEJO TANTA ILUMINÁRIA

DO NOSSO DEUS VERDADEIRO

 

ESTA ILUMINÁRIA QUE EU VEJO

ALEGRA O MEU CORAÇÃO

ESTAS FLORES QUE RECEBEMOS

PARA NOSSA SALVAÇÃO

 

Este hino é o cumprimento do primeiro mandamento cristão: amar a Deus – Pai, Filho e Espírito Santo (indissociável da Mãe) – sobre todas as coisas. Abre os Hinos Novos como Sol, Lua, Estrela (hino 29) – o amor a Deus e sua criação – abre O Cruzeiro. As três últimas estrofes trazem as palavras “iluminar” e “iluminária” – revisita-se o profeta Isaías no Evangelho mateano, quando do anúncio messiânico: “(…) O povo que jaz em trevas vê um grande luzeiro e uma luz resplandece aos que habitam nas regiões sombrias da morte” (Mt 4: 16).

REFLEXÃO: Por que amar a Deus em primeiro lugar? Vamos ao Cruzeiro, hino Perguntei a Todo Mundo:
“Perguntei a todo mundo:/Por onde vai o Caminho?/E ninguém me respondeu/Vou viajando sozinho” (94:1) – a solidão;
“Deus na frente/Deus na paz/Nas alturas onde Ele está/Vou viajando com Deus/Um dia eu hei de chegar” (94: 2) – a solitude.
Assim, respondendo à pergunta inicial com o hino Chamei Lá Nas Alturas: “Porque Deus não abandona quem ama com firmeza”! (68: 4).

 

HINO 118 – TODOS QUEREM SER IRMÃOS

 

TODOS QUEREM SER IRMÃOS

MAS NÃO TEM A LEALDADE

PARA SEGUIR NA VIDA ESPÍRITA

QUE É O REINO DA VERDADE

 

É O REINO DA VERDADE

É A ESTRADA DO AMOR

É TODOS PRESTAR ATENÇÃO

AOS ENSINOS DO PROFESSOR

 

OS ENSINOS DO PROFESSOR

É QUEM NOS TRAZ BELAS LIÇÕES

PARA TODOS SE UNIR

E RESPEITAR OS SEUS IRMÃOS

 

RESPEITAR OS SEUS IRMÃOS

COM ALEGRIA E COM AMOR

PARA TODOS CONHECER

E SABER DAR O SEU VALOR

 

Este hino é o cumprimento do segundo mandamento cristão: amar ao próximo como a si mesmo. A mística de amar a Deus precisa ser provada na ética, a arte da convivência humana. Assim, o hino 118 sucede o 117 como o hino 29 é sucedido pelo 30: “A  Virgem Mãe foi quem me deu, para ensinar aos meus irmãos, para ser um filho seu de amor…”. A “vida espírita que é o reino da verdade”, por Mestre Irineu é testificada: “Aqui achou, aqui deixou” (hino 7), o desapego aos bens materiais; “braços nus e pés no chão” (hino 75), a humildade; e “não fugir da caridade” (hino 90), o fruto áureo da fraternidade.

REFLEXÃO: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? Pois dele temos este mandamento: Que quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 Jo 4: 20-21). Esse mistério cristão é cumprido com excelência por Mestre Irineu, em uma das frases mais emblemáticas, poéticas, lindas, profundas e impactantes d’O Cruzeiro: “Para sempre, para sempre, amigo do meu irmão, que ele é a minha luz neste mundo de ilusão” (88: 3). O Homem que reconheceu em cada um de nós a sua própria luz. A isso denominamos ego-redenção. Não há nada mais sublime e mais “alto” neste caminho do que ser simples e totalmente irmão. E a medida do meu amor pelo Mestre é a medida da minha consideração por cada irmão provada em minhas ações. Se “cada um dá o que tem” (hino 98: 4), eu peço a Deus um coração puro, manso e generoso para “abraçar a todo mundo e não querer ser orgulhoso” (hino 45: 5). Amém.

 

HINO 119 – CONFIA

 

CONFIA, CONFIA, CONFIA NO PODER

CONFIA NO SABER

CONFIA NA FORÇA

AONDE PODE SER

 

ESTA FORÇA É MUITO SIMPLES

TODO MUNDO VÊ

MAS PASSA POR ELA

E NÃO PROCURA COMPREENDER

 

ESTAMOS TODOS REUNIDOS

COM A NOSSA CHAVE NA MÃO

É LIMPAR MENTALIDADE

PARA ENTRAR NESTE SALÃO

 

ESTE É O SALÃO DOURADO

DO NOSSO PAI VERDADEIRO

TODOS NÓS SOMOS FILHOS

E TODOS NÓS SOMOS HERDEIROS

 

NÓS TODOS SOMOS FILHOS

É PRECISO TRABALHAR

AMAR AO PAI ETERNO

É QUEM TEM PARA NOS DAR

 

Amar a Deus (hino 117) e ao próximo como a si mesmo (hino 118) é o grande fundamento da doutrina cristã, pois segundo Jesus, “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22: 40), firmando a aliança e legitimando a confiança, no “Poder, no saber, na força e aonde pode ser”, dentro de você! O “Verdadeiro” (Vós Sois Baliza, 38: 2) cumpre a profecia entregando a “chave na mão”, chave de unção: “Assim diz o Santo, o Verdadeiro, aquele que tem a chave de David, o que abre e ninguém pode fechar, e fechando, ninguém pode abrir” (Ap 3: 7). Com a “chave”, “é limpar mentalidade”, entra-se no “salão dourado”, o Reino dos Céus, do qual “todos nós somos herdeiros”, pois o Cristo prometeu quando voltasse: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt 25: 34).

NOTA 1: Vós Sois Baliza, 38: 2: “A minha Mãe lhe mandou/E lhe amostra em todo universo/Vosso filho está na Terra/Ele é o Verdadeiro”;

NOTA 2: Na interpretação do hino Lua Branca, subtítulo AS EXPRESSÕES DE JESUS NA PROMESSA DA ÚLTIMA CEIA, em REINO DE DEUS, explico como Jesus usou a expressão “fundação do mundo” em Mt 25: 34 (citada acima) como um código cabalístico que aponta justamente para a Lua, representada na nona esfera da Árvore da Vida denominada Iessód (“fundamento” em hebraico). Link ao final deste texto;

REFLEXÃO: só posso confiar em Deus se eu o amar (hino 117), mas só o amo de fato, se amar o meu irmão (hino 118). Os dois primeiros mandamentos legitimam a confiança (hino 119). A confiança é muito mais um FUNDAMENTO (esfera objetiva) do que propriamente um sentimento (esfera subjetiva)! Por isso, Salomão diz segundo a Bíblia Hebraica traduzida diretamente para o português: “Confie no Eterno com todo o teu coração e não te fies (apenas) em tua própria compreensão…” (Provérbios 3: 5-6). Assim, neste hino, o Mestre fala em “limpar mentalidade” para entrar no “salão dourado”. Não só se coaduna à sabedoria salomônica, como revisita o primeiro princípio hermético, o Princípio do Mentalismo, no qual a mente individual que subjetivamente pensa e crê, dissolve-se na “Mente Vivente Infinita e Universal” para objetivamente a fé viver (TRÊS INICIADOS, 2014: 20-21).

Salomão fala em “confiar com todo o teu coração”. Penetrando na mente hebraica do rei e na de Jesus, quando diz: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15: 8): quando escrita nos caracteres hebraicos, a palavra “coração” é composta por duas letras: bet e lamed. Segundo o rabino Aaron Raskin, na obra A Luz das Letras do Alfabeto Hebraico, o significado do bet é bait, “lar” em hebraico. Lamed significa “aprender e ensinar” aludindo à relação “professores e alunos” (RASKIN, 2002: 13; 89). Desse modo, o Mestre, imediatamente após louvar a Deus e sua criação (o primeiro mandamento no hino 29), começa a ensinar os discípulos a iluminarem suas “casas”, o Coração, para os capacitar a amar seus irmãos (segundo mandamento): “(…) No coração eu devo amar a luz, a Virgem Mãe foi quem me deu, para ensinar os meus irmãos, para ser um filho seu, para ser um filho seu de amor…” (hino 30).

Reafirmando o provérbio de Salomão – que declara assinar embaixo (atestar) a verdade da Doutrina (hino 50: 1) – no hino que abre O Cruzeiro, Lua Branca (1: 3), o Mestre usa a expressão “de todo o meu coração” (não dividido entre a dúvida e a fé) para expressar sua confiança na “Mãe Divina do coração” (1: 2; 4; 6; 8), a Mãe da “casa” (bait) e “professora dos ensinos” (lamed). A palavra “coração” permeia todo o hinário com 39 repetições em 30 hinos, onde edificamos nossa fé confiando em Deus por amá-lo através de nossos semelhantes. Há um detalhe relevante: é em Lua Branca, o hino debutante, que a palavra “coração” aparece mais vezes (5) igualmente à palavra perdão (4) – o coração é a casa do perdão onde santificamos e confiamos nosso amor a Deus perdoando nossos irmãos!

 

HINO 120 – EU PEÇO

 

EU PEÇO, EU PEÇO

EU PEÇO AO PAI DIVINO

QUE ME DÊ A SANTA LUZ

PRA ILUMINAR O MEU CAMINHO

 

EU PEÇO À VIRGEM MÃE

A JESUS CRISTO REDENTOR

ILUMINAI O MEU CAMINHO

NESSA ESTRADA DO AMOR

 

ESSA ESTRADA DO AMOR

DENTRO DO MEU CORAÇÃO

EU PEÇO A JESUS CRISTO

QUE NOS DÊ A SALVAÇÃO

 

EU PEÇO A SALVAÇÃO

QUE SÓ VÓS PODE NOS DAR

PERDOAI NÓS NESTE MUNDO

E NA VIDA ESPIRITUAL

 

Uma vez no Reino eu agradeço ao Rei, pois nesta promessa confiei: “Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá” (Mt 7: 7). Como a felicidade divina é minimalista, eu peço apenas ao Pai divino “Que me dê a santa luz, para iluminar o meu caminho… nessa estrada do amor”, para alcançar o perdão e, da inconsciência, a salvação de Jesus Cristo Redentor.

REFLEXÃO: só posso confiar em Deus se eu o amar (hino 117), mas só o amo de fato, se eu amar o meu irmão (hino 118). Os dois primeiros mandamentos legitimam a confiança (hino 119). Com a confiança autenticada, o pedido está habilitado (hino 120). Diante dessa premissa e sua lógica, eterna aliada e base da ciência (“Aqui tem muita…”, hino 102), Mestre Irineu me faz constatar que a “matemática divina” é perfeita ao contrário da nossa (“…Fazendo as suas continhas e multiplicando ainda sai errado”). Esta é a dedução a que chego: a medida do recebido de acordo com o pedido é proporcional ao que obedecemos em relação às leis de Deus! Perante essa e esta verdade – “A justiça de Deus é reta, não deixa passar nada…” – não há injustiçados e nem coitados, só ignorância mesmo. Concluo, portanto, o porquê de o Mestre neste hino 120 priorizar o pedido (2x) pela iluminação no “meu caminho”, a luz que norteia através dos preceitos divinos, a salvação de Jesus Cristo, “Que só vós pode nos dar”  –  Dai-me luz! Então, em uma sequência perfeita, vem a força para iluminar (hino 121).

NOTA: hinário citado além d’O Cruzeiro: O Justiceiro (124: 2): “A justiça de Deus é reta/Não deixa passar nada/Fazendo as suas continhas/E multiplicando ainda sai errado”.

 

HINO 121 – ESTA FORÇA

 

ESTA FORÇA, ESTE PODER

EU DEVO AMAR NO MEU CORAÇÃO

TRABALHAR NO MUNDO TERRA

A BENEFÍCIO DOS MEUS IRMÃOS

 

ESTOU AQUI, NESTE LUGAR

FOI MINHA MÃE QUEM ME MANDOU

ESTAMOS DENTRO DESTA CASA

ONDE AFIRMAMOS A FÉ E O AMOR

 

Eu peço a luz, e a Força – manifestação do Poder – é quem traz, tornando o Pentecostes redivivo: “Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e serei minhas testemunhas…” (At 1: 8. Tradução Bíblia de Jerusalém); “Mas recebereis Poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…” (João Ferreira de Almeida). E “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2: 42) – “Trabalhar no mundo Terra a benefício dos meus irmãos”.

REFLEXÃO: no hino antecessor (120) destaca-se o pedido por luz (2x). Sendo os Hinos Novos uma síntese d’O Cruzeiro, reflete-se e revela-se algo muito significativo: as palavras “luz (es)”, “iluminar” e “iluminária” aparecem grafadas incríveis 61 vezes, incluindo vários pedidos por iluminação (hinos 35, 41, 44, 45, 56, 64, 68, 117 e 120) – não basta só a luz, o que se busca é o “clarão” (45: 4), a própria iluminação! No hino 44, Mestre Irineu pede a “santa luz para eu poder navegar” (44: 3). Essa não é uma luz qualquer, é a “Santa Luz”! Quem a traz é a Força (hino 121). A Fonte é a mesma, em sequência: da Força (“A minha Mãe é quem me dá” (64: 3)); e da Santa Luz (“Quem veio me entregar foi a sempre Virgem Maria”  (65: 2)). Estamos diante da força luminosa do divino Espírito Santo – cobri-me Nossa Senhora, com vosso Divino Manto! (93: 2). Essa Força também é chamada (na tradução JFA) de Poder, exatamente o par sinonímico usado neste hino: “Esta Força, este Poder, eu devo amar no meu coração” (121: 1). O que o Pentecostes (a descida do Espírito, Força, Poder) incitou nos primeiros cristãos (At 2: 4)? “À comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2: 42). Mestre Irineu, verdadeiro cristão, subscreve: “Trabalhar no mundo Terra a benefício do meu irmão”! (121: 1). Tomamos Daime e invocamos a santa luz deste Poder para transformar o nosso coração em fonte abundante de puro amor cristão: “Quem quiser ser grande seja o servidor de todos” (Mc 10: 43). O modo mais fidedigno de, “estando nesta casa”, “afirmamos a fé e o amor” (121: 2), a mística de amar a Deus testemunhada no amor pleno aos filhos seus! Uma vez que, o pedido por luz no hino 120, que é atendido ao recebê-la através da Força (hino 121), reitera o que o hino 41 revela: “Vou chamar a Estrela d’ Água para vir me iluminar… Dai-me força e dai-me amor [8x]”! Amém.

 

HINO 122 – QUEM PROCURAR ESTA CASA

 

QUEM PROCURAR ESTA CASA

QUE AQUI NELA CHEGAR

ENCONTRA COM A VIRGEM MARIA

SUA SAÚDE ELA DÁ

 

MINHA SEMPRE VIRGEM MARIA

PERDOAI OS FILHOS SEUS

VÓS COMO MÃE SOBERANA

A DIVINA MÃE DE DEUS

 

EU PEÇO A VÓS BEM CONTRITO

FAZENDO AS MINHA ORAÇÕES

PEÇO A VÓS A SANTA LUZ

PARA ILUMINAR O MEU PERDÃO

 

AQUI DENTRO DESTA CASA

TEM TUDO QUE PROCURAR

SEGUINDO O BOM CAMINHO

FAZER BEM, NÃO FAZER MAL

 

Daime, a Força do Espírito Santo, a Virgem Maria e seu divino manto! (O Cruzeiro 93: 2). Recebeu em Nazaré (Lc 1: 35), pois “Este divino poder que o divino Pai talhou para a sempre Virgem Maria e Jesus Cristo redentor” (Vós Sois Baliza, 33: 2), no Jordão como Pomba se manifestou (Lc 3: 22), e nas Bodas de Caná a água em vinho transformou (Jo 2: 1-11). Agradecido – “Filho, eles não tem mais vinho…” (Jo 2: 3) -, “Eu peço a vós bem contrito/Fazendo minhas orações/Peço a vós a santa luz/Para iluminar o meu perdão”, luz de conscientização – “fazer bem, não fazer mal”.

REFLEXÃO: no hino anterior, 121, Esta Força, vimos que a Força, o Poder, o Espírito Santo traz a luz. Esta luz nos leva ao encontro, “nesta casa”, da Virgem Maria. Como visto acima, Germano Guilherme, em seu hinário, revela que o divino Pai “talhou” o poder do Espírito Santo, primeiramente, para a Virgem Maria. Essa especificidade é denominada idiossincrasia, ou seja, uma característica que torna alguém único, uma singularidade. No sentido médico, uma reação particular a um agente externo. O Evangelho do médico antioquiano lucas, relata que esse Poder do Espírito Santo desceu sobre Maria (Lc 1: 35), o que faz Mestre Irineu, poeticamente, conceber o Espírito como o Manto de Nossa Senhora (93: 2). Originalmente o Espírito Santo é uma força feminina – geradora de vida, nova vida! -; por isso, no rio Jordão é figurado como pomba e não pombo! Em hebraico denomina-se ruach, gênero feminino (WELBURN, 1991: 302). Em grego, a língua primordial dos Evangelhos, é pneuma, gênero neutro (MEIER, 1992: 221). A “masculinização” do Espírito Santo (Spiritus Sanctus) se deu definitivamente quando Jerônimo traduziu os Evangelhos para o latim em 383 (MOURA: 1999: 45). Surge uma pergunta interessante no Evangelho gnóstico do apóstolo Felipe: “Como poderia o Feminino fecundar o feminino? Maria é o silêncio virginal… Ela permanece silêncio imaculado…” (LELOUP, 2006: 57). Silenciar é se esvaziar – o ego morrendo e o Cristo nascendo: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra!” (Lc 1: 38). Seu Filho, no Jardim das Oliveiras, sob a lua cheia, aceita o “cale-se”! (Mt 26: 39) – o cálice é um símbolo uterino, e Maria é o protótipo da fecundação pelo Espírito. Como Jesus ensinou, “fazendo minhas orações” (122: 3), consagrando o Vinho (o Sangue) que dá vida à Palavra (Pão), à Senhora das Bodas, “Peço a vós a Santa Luz para iluminar o meu perdão” (122: 3). O perdão iluminado é o autoperdão consciente, aquele que não nasce de uma culpa cega meramente, mas é concebido a partir da compreensão e da clareza para retomar o caminho de Deus, Sua própria vontade, deixando o orgulho, a vaidade e qualquer sutil maldade (falsidade), até que eu possa, como São Francisco, purificado em seu abandono, ser plenamente “um instrumento de vossa paz” ao só “fazer bem, não fazer mal” (122: 4) – pensar, falar e agir! Amém.

 

HINO 123 – EU ANDEI NA CASA SANTA

 

EU ANDEI NA CASA SANTA

TROUXE MUITAS COISAS BOAS

TUDO VIVE NESTE MUNDO

PARECE UMAS COISA À TOA

 

PEDI LICENÇA AO DIVINO

PARA ESTAS PALAVRAS EU NARRAR

PERANTE AOS MEUS IRMÃOS

PARA TODOS ESCUTAR

 

DEPOIS QUE TODOS ESCUTAREM

É QUE VÃO RECONHECER

TUDO VIVE NESTE MUNDO

MUITO LONGE DO PODER

 

PARA ESTAR JUNTO AO PODER

DA VIRGEM DA CONCEIÇÃO

E TER FÉ E TER AMOR

E DAR VALOR AOS SEUS IRMÃOS

 

Na interpretação rabínica, “casa” inclui o sentido de mundo celestial (Reino), a “glória de Adão” antes da queda (FLUSSER, 2001: 49). Segundo o autor, a “casa” é um símbolo de origem essênia (p. 37), que aparece justamente como “Casa Santa” em um dos volumes dos Manuscritos do Mar Morto intitulado Regra da Comunidade: “E Ele deu-lhes (aos Eleitos) uma herança no grupo dos Santos (os anjos celestiais); e com os Filhos do Céu juntou-se ao seu grupo para um Conselho Comunal. A sua assembleia será na Casa Santa, como uma Plantação eterna, durante todas as épocas que se iniciem” (ALLEGRO, 1979: 187).

No hino 104, Sexta-Feira Santa, o Mestre proclama: “A minha memória divina eu tenho que apresentar… Sou filho desta verdade e meu pai é São José…”. Quinta-feira santa, última ceia: “Na casa de meu Pai [“Eu andei na Casa Santa”] há muitas moradas. Se assim não fosse, vos teria dito. Pois eu vou para vos preparar um lugar. Depois de partir e preparar-vos um lugar, voltarei [“Trouxe muitas coisas boas”] e vos levarei comigo…” (Jo 14: 2-3)… “Subi, subi, subi…” (hino 124)…

 

HINO 124 – EU TOMO ESTA BEBIDA

 

EU TOMO ESTA BEBIDA

QUE TEM PODER INACREDITÁVEL

ELA MOSTRA TODOS NÓS

AQUI DENTRO DESTA VERDADE

 

SUBI, SUBI, SUBI

SUBI FOI COM ALEGRIA

QUANDO EU CHEGUEI NAS ALTURAS

ENCONTREI COM A VIRGEM MARIA

 

SUBI, SUBI, SUBI

SUBI FOI COM AMOR

ENCONTREI COM O PAI ETERNO

E JESUS CRISTO REDENTOR

 

SUBI, SUBI, SUBI

CONFORME OS MEUS ENSINOS

VIVA O PAI ETERNO

E VIVA TODO SER DIVINO

 

Na última ceia marcana e mateana, estas são as últimas palavras de Jesus antes de se dirigir ao Monte das Oliveiras: “Eu vos digo: Não beberei mais deste fruto da videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai” (Mt 26: 29). O “vinho novo” cumpre a profecia do arrebatamento – “Quando eu cheguei nas alturas” – desmistificada pelo Poder que transcende a crença – não crível, inacreditável: “Subi, subi, subi, subi foi com alegria … Subi, subi, subi, subi foi com amor… Subi, subi, subi, conforme os meus ensinos…”, a gnose do Verbo divino…

NOTA: Na interpretação do hino Lua Branca, no subtítulo AS EXPRESSÕES DE JESUS NA PROMESSA DA ÚLTIMA CEIA, disponibilizo um estudo contextual das expressões “fruto da videira”, “aquele dia” e “Reino de Deus” (expressões da versão marcana). Link ao final deste texto.

 

HINO 125 – AQUI ESTOU DIZENDO

 

AQUI ESTOU DIZENDO

AQUI ESTOU CANTANDO

EU DIGO PARA TODOS

HINOS ESTÃO ENSINANDO

 

AQUELES QUE COMPRENDEREM

QUE QUISER SEGUIR COMIGO

TENDO FÉ E TENDO AMOR

NÃO DEVEM ENCARAR PERIGO

 

SIGO OS MEUS PASSOS EM FRENTE

COM ALEGRIA E COM AMOR

PORQUE DEUS É SOBERANO

E NESTA FIRMEZA EU ESTOU

 

A VIRGEM MÃE É SOBERANA

FOI ELA QUEM ME ENSINOU

ELA ME MANDOU PRA CÁ

PARA SER UM PROFESSOR

 

VAMOS SEGUIR, VAMOS SEGUIR

VAMOS SEGUIR, VAMOS EMBORA

QUE NÓS SOMOS FILHOS ETERNOS

FILHOS DE NOSSA SENHORA

 

A memória da Última Ceia continua no mistério joanino: “Isto vos disse [“Aqui estou dizendo/Aqui estou cantando”] enquanto estou convosco; mas o consolador, o Espírito Santo [Daime], que o Pai enviará em meu nome [“Eu digo para todos”], vos ensinará todas as coisas [“Hinos estão ensinando”], e vos recordará tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14: 25,26).

“Naquele [a] dia [luz], sim, compreendereis [“Aqueles que compreender”] que eu estou em meu Pai, que vós estais em mim e eu em vós [“Que quiser seguir comigo”] (Jo 14, 20). “Quem me ama guardará a minha palavra [“Tendo fé”]; meu Pai o amará [“E tendo amor”], e viremos a ele e faremos nele habitação [“Não devem encarar perigo”]” (Jo 14, 23).

NOTA: Na linguagem bíblica, “luz” é sinônima de “dia”: “Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz ‘dia’ e às trevas ‘noite’” (Gn 1: 4-5).

NOTA 2: Na publicação do Instagram, no card deste hino uso a expressão “Rogativo da Última Ceia”. Na verdade, o “Rogativo” ou “Oração Sacerdotal de Jesus”  ou “Oração Intercessora de Jesus” se dá a partir do capítulo 17 do Evangelho de João.

 

“(…) Ouviste que vos disse: Vou [“Sigo os meus passos em frente…”], e torno a vós. Se me amásseis, folgaríeis de que vou ter com o Pai; porque o Pai é maior do que eu [“Porque Deus é Soberano”]. Vos disse agora, antes de acontecer, para que, depois de acontecido, creiais [“e nesta firmeza eu estou”]” (Jo 14: 28,29).

“Não vos deixarei órfãos [“A Virgem Mãe é soberana”]; tornarei a vós” [“Ela me mandou pra cá, para ser um professor”] (Jo 14: 18). “Levantai-vos! Saiamos daqui! [“Vamos seguir, vamos seguir, vamos seguir, vamos embora…”] (Jo 14: 31). “Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mt 26: 30).

NOTA: A partir da chegada de Jesus e seus apóstolos ao Monte das Oliveiras pouco antes da meia-noite, tem início as etapas da Paixão, revisitadas por Mestre Irineu no hino 14, Rogativo dos Mortos, cuja interpretação encontra-se neste site no artigo Rogativo dos Mortos – A Cronologia da Paixão no Hino 14 (link ao final deste texto)

NOTA 2: Na interpretação do hino Lua Branca, espero ter provado a ligação oculta de Jesus com a Mãe Divina, manifestada na “fundação do mundo” (Mt 25;34), em suas parábolas agrárias e nas Bodas de Caná. Não se pode esquecer da última ordenação de Jesus antes de expirar na cruz, quando entrega o “discípulo amado” – que também simboliza a humanidade –  aos cuidados de sua mãe Maria: “Eis tua mãe!” (Jo 19: 27).

 

HINO 126 – FLOR DAS ÁGUAS

 

FLOR DAS ÁGUAS

DA ONDE VEM PARA ONDE VAI?

VOU FAZER MINHA LIMPEZA

NO CORAÇÃO ESTÁ MEU PAI

 

A MORADA DO MEU PAI

É NO CORAÇÃO DO MUNDO

AONDE EXISTE TODO AMOR

E TEM UM SEGREDO PROFUNDO

 

ESTE SEGREDO PROFUNDO

ESTÁ EM TODA HUMANIDADE

SE TODOS SE CONHECEREM

AQUI DENTRO DA VERDADE

 

Mestre Irineu disse, metaforicamente, que “Flor das Águas é o oceano” (MAIA NETO, 2003: 53), ou o mar (CARIOCA, 2023: 233). No livro do Genesis, está o “mar sagrado” (hino 110) onde “(…) Um sopro de Deus agitava [“ondas…” (hino 110)] a superfície das águas” (Gn 1: 2). Ao perguntar “Flor das Águas, da onde vem, para onde vai?”, rememora-se o famoso colóquio entre Jesus e Nicodemos revelando a chave do renascimento – consciência edênica:

“(…) Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Perguntou Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne; mas o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: É necessário nascerdes de novo. O Sopro [Espírito] sopra onde quer; bem lhe ouves a voz; mas não sabes donde vem nem para onde vai. O mesmo se dá com todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3: 1-8). Flor das Águas, Espírito Santo a espelhar-se no oceano profundo e amplo.

NOTA 1: Quanto ao “mar sagrado” do Genesis, este “espelha-se” no Mar da Galileia onde em suas margens e cercanias, Jesus ensinou grande parte de sua doutrina. Para um aprofundamento, veja o artigo publicado neste site O Mistério do Chefe Estrangeiro, especialmente o subtítulo “9 – “DE LONGE”, O HINO: DO MAR SAGRADO À FLORESTA ENCANTADA” (Link ao final deste texto).

NOTA 2: “Tanto na língua grega quanto nos idiomas hebraico/aramaico uma única palavra é utilizada para designar dois elementos: espírito e vento (sopro)” (NOVO TESTAMENTO, 2010:401). A palavra “sopro” aparece nas traduções do Novo Testamento grego (ROHDEN, 1990: 225). Algumas bíblias, incluindo a BÍBLIA de Jerusalém (2002: 1848), traduzem a palavra grega pneuma por “vento” em vez de “sopro”.

NOTA 3: Mais uma prova teológica de que Flor das Águas é o Espírito Santo se dá quando Mestre Irineu, na primeira estrofe, associa-a à “limpeza”. Segundo o conhecido Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: “Os escritos apocalípticos judaicos (p.ex., jub. 1, 23: ‘Eu porei neles um espírito santo e os purificarei de modo que não se afastem de mim desde aquele dia até a eternidade’) associavam a purificação pelo Espírito de Deus com a era messiânica” (PERKINS, 2018: 757). “Flor” porque o Espírito Santo é indissociável da Mãe Divina. Se o Espírito faz renascer de quem é o ofício do parto senão da mulher sagrada! Por ela nascemos na carne e por Ela renascemos no Espírito. Assim, renascido, Mestre Irineu poetiza lindamente: “Surubina, minha flor/Jardim da minha infância/A base deste mundo/É o verde, minha esperança” (54: 3). Inocência resgatada, culpa curada! Como é bom viver o azul do céu através do verde da floresta e cirandar na grande festa – jubileu!

NOTA 4: Por que Jesus diz que todo aquele que nasceu do Espírito não sabe de onde vem nem para onde vai? É preciso se perder em Deus para encontrá-lo. É como estar em um barquinho sem motor em alto mar. O abandonado e Quem faz abandonar! Até que a mente ressuscite e você acorde novamente na matéria ordinária.

NOTA 5: Acerca da expressão “não sabes donde vem nem para onde vai”, segundo o Dr. Raymond Brown, considerado por muitos como o maior especialista contemporâneo no Evangelho de João, “Para os antigos sem um profundo conhecimento de meteorologia, o movimento invisível do vento tinha uma qualidade divina e misteriosa. No pensamento primitivo, o vento era descrito como o fôlego de Deus” (BROWN, 2020: 334).

NOTA 6: Mestre Irineu comparou Flor das Águas ao oceano (símbolo de imensidão). Considero que O Espírito Santo de Deus não vai nem vem, está em toda parte (onipresente) manifestado ou oculto, a Testemunha sem começo nem fim.  

 

HINO 127 – EU PEDI

 

EU PEDI, EU PEDI, EU PEDI

EU PEDI, MAMÃE ME DEU

PARA MIM ME APRESENTAR

AO DIVINO SENHOR DEUS

 

MEU DIVINO SENHOR DEUS

É PAI DE TODO AMOR

PERDOAI OS VOSSOS FILHOS

NESTE MUNDO PECADOR

 

JESUS CRISTO REDENTOR

SENHOR DO MEU CORAÇÃO

DEFENDEI OS VOSSOS FILHOS

NESTE MUNDO DE ILUSÃO

 

Segundo O Zohar: “Quando a alma aprende sobre O Ancião, ela é consumida pelo desejo de voar para Ele assim que os mistérios lhes são revelados” (BENSION, 2006: 93). Para realizá-los, amou a Deus sobre todas as coisas, “Dou Viva A Deus Nas Alturas” (H 117) e ao próximo como a si mesmo, “Todos Querem Ser Irmãos” (H 118), sempre confiando, “Confia” (H 119), e pedindo, “Eu Peço” (H 120), à força, “Esta Força” (H 121), para encontrar, “Quem Procurar Esta Casa” (H 122), a Casa Santa (O Reino) e conhecê-la, “Eu andei Na Casa Santa” (H 123), pois através deste poder inacreditável, “Eu Tomo Esta Bebida” (H 124), e de sua divina mensagem, “Aqui Estou Dizendo” (H 125), destrinchou o segredo profundo que está no coração do mundo, “Flor das Águas” (H 126). Finalmente faz o pedido para se apresentar a Deus, “Eu Pedi” (H 127)

 

HINO 128 – EU CHEGUEI NESTA CASA

 

EU CHEGUEI NESTA CASA

EU ENTREI POR ESTA PORTA

EU VENHO DAR OS AGRADECIMENTOS

A QUEM ROGOU POR MINHA VOLTA

 

EU ESTOU DENTRO DESTA CASA

AQUI NO MEIO DESTE SALÃO

ESTOU ALEGRE E SATISFEITO

JUNTO AQUI COM OS MEUS IRMÃOS

 

IA FAZENDO UMA VIAGEM

IA PENSANDO EM NÃO VOLTAR

OS PEDIDOS FORAM TANTOS

ME MANDARAM EU VOLTAR

 

ME MANDARAM EU VOLTAR

EU ESTOU FIRME, VOU TRABALHAR

ENSINAR OS MEUS IRMÃOS

AQUELES QUE ME ESCUTAR

 

E se apresentou em grande êxtase místico: em 1970, Mestre Irineu permaneceu três dias em coma profundo (CARIOCA, 2000: 72-73). Era o nirvikalpa samadhi: “Estado sem pulso e sem respiração no qual cessam todas as atividades da mente, corpo, pensamento, intelecto e ego e ocorre a absorção total em Deus” (HARIRARANANDA, 2006: 303). “(…) Porque dou a minha vida, para recuperá-la. (…) Tenho o poder de a dar e o poder de a recuperar. Este mandato recebi do meu Pai” (Jo 10: 17-18)… O Mestre torna para o corpo e anuncia o hino… Me mandaram eu voltar”: os discípulos são as ovelhas que clamam por sua presença na parábola do bom pastor e da porta (“Eu cheguei nesta casa, eu entrei por esta porta”):

“Em verdade, em verdade vos digo: quem não entrar no aprisco das ovelhas pela porta, mas penetrar por outra parte, é ladrão e salteador. Mas quem entrar pela porta, esse é pastor de ovelhas; a ele o porteiro lhe abre, e as ovelhas lhe escutam a voz…” (Jo 10: 1-3) – “Aqueles que me escutar”. “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10: 7) – “O vosso Filho está no mundo, com suas ovelhas ele é bom pastor” (Vós Sois Baliza, 48: 2). Infelizmente, “A terra aonde estou, ninguém acreditou”  (hino 42: 1). E mais infeliz foi quem zombou.

NOTA: Segundo Paulo Moreira, autor principal da biografia mais completa de que dispomos sobre a vida de Mestre Irineu, “Vários dos Hinos Novos foram recebidos após longos estados de letargia” (MOREIRA & MACRAE, 2011: 363). Podemos considerar esses estados letárgicos como estados extáticos.

 

HINO 129 – PISEI NA TERRA FRIA

 

PISEI NA TERRA FRIA

NELA EU SENTI CALOR

ELA É QUEM ME DÁ O PÃO

A MINHA MÃE QUE NOS CRIOU

 

A MINHA MÃE QUE NOS CRIOU

E ME DÁ TODOS ENSINOS

A MATÉRIA EU ENTREGO A ELA

E O MEU ESPÍRITO AO DIVINO

 

DO SANGUE DAS MINHA VEIAS

EU FIZ MINHA ASSINATURA

O MEU ESPÍRITO EU ENTREGO A DEUS

E O MEU CORPO À SEPULTURA

 

MEU CORPO NA SEPULTURA

DESPREZADO NO RELENTO

ALGUÉM FALA EM MEU NOME

ALGUMA VEZ EM PENSAMENTO

 

“(…) O pó volte a terra de onde veio e o sopro volte a Deus que o concedeu” (Eclesiastes 12:7); “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador.” (Hb 9: 16). “Meu corpo na sepultura/Desprezado no relento/Alguém fala em meu nome/Alguma vez em pensamento”: “(…) A expressão idiomática ‘por amor de mim’ é uma tradução da locução hebraica lishmi (em meu nome). (…) A expressão “em nome de” aparece com muita frequência na literatura rabínica no contexto de transmissão de uma tradição. (…) Aqueles que estão reunidos por amor de seu mestre aprendem a doutrina em seu nome. Um terceiro aspecto interessante da palavra “nome” é que tanto a expressão “no lugar” quanto a palavra “nome” reaparecem em Êxodo 20:24: ‘Em todo lugar onde eu fizer recordar o meu nome, virei a ti para te abençoar’” (FLUSSER, 2002: 59). “Estou aqui, e eu não estando, como é?” (hino 111): “Onde quer que dois ou três se acharem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18, 20). Amém!

NOTA: Intepretação do hino 129, Pisei na Terra Fria, disponível no site (vide links).

 

TEXTO: Florestan Japiassú Maia Neto

ARTE: Thálita Vanessa Pinheiro.

 

LINKS:

Para o hino Lua Branca:https://evangelhodejuramida.com.br/hino-01-lua-branca/

Para o hino Rogativo dos Mortos:https://evangelhodejuramida.com.br/mestre-irineu-e-a-cronologia-da-via-crucis-hino-14-rogativo-dos-mortos/

Para o artigo O Mistério do Chefe Estrangeirohttps://evangelhodejuramida.com.br/o-misterio-do-chefe-estrangeiro/

Para o hino Pisei na Terra Fria:https://evangelhodejuramida.com.br/hino-129-pisei-na-terra-fria/

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALLEGRO, John M. O Mito Cristão e os Manuscritos do Mar Morto. Sintra, Portugal: Publicações Europa-América, 1979;

BENSION, Ariel (Org.). O Zohar: O Livro do Esplendor. São Paulo: Polar, 2006;

BÍBLIA. Bíblia Hebraica. São Paulo: Sêfer, 2006;

BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém: Nova Edição, Revista e Ampliada. São Paulo: Paulus, 2002;

BÍBLIA. Português. Bíblia de Referência Thompson: Antigo e Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Vida, 2007;

BROWN, Raymond Edward. Comentário ao Evangelho de João Volume I (1-12). Santo André: Academia Cristã; São Paulo: Paulus, 2020;

CARIOCA, Jairo. Doutrina do Santo Daime: A Filosofia do Século. Rio Branco, 2000. Monografia;

________. Vovô Irineu. Santa Luzia (MG): Editora Cristo Consolador, 2023;

FLUSSER, David. O Judaísmo e as Origens do Cristianismo, Volume 2. Rio de Janeiro: Imago, 2001;

________. O Judaísmo e as Origens do Cristianismo, Volume 3. Rio de Janeiro: Imago, 2002;

HARIHARANANDA, Paramahansa. Kriya Yoga: O processo científico de aperfeiçoamento espiritual e a essência de todas as religiões. Rio de Janeiro: Lótus do Saber, 2006;

KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. São Paulo: Martin Claret, 2003;

LELOUP, Jean Yves. (Tradução e comentário). O Evangelho de Felipe. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006;

MAIA NETO, Florestan J. Contos da Lua Branca. Rio Branco, AC: Fundação Elias Mansour, 2003;

MEIER, John P. Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico. 3ª ed. Rio de Janeiro: Imago, 1992;

MILES, Jack. Cristo: Uma Crise Na Vida de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2002;

MOREIRA, Paulo; MACRAE, Edward. Eu Venho de Longe: Mestre Irineu e seus companheiros. Salvador: EDUFRA, 2011;

MOURA, Jaime Francisco de. Católicos x Protestantes: dúvidas e respostas. 9ª Ed. Brasília: Clube de Autores, 1999;

NOVO TESTAMENTO/tradutor Haroldo Dutra Dias; revisor Cléber Varandas de Lima.  Brasília (DF), Brasil: Conselho Espírita Internacional, 2010;

PERKINS, Pheme. Evangelho Segundo João. In: BROWN, Raymond E; FITZMYER, Joseph A.; MURPHY, Roland E. (Orgs.). Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos sistemáticos. São Paulo: Paulus, 2018;

RASKIN, Aaron L. A Luz das Letras do Alfabeto Hebraico. São Paulo: Editora Lubavitch, 2022;

ROHDEN, Huberto. A Mensagem Viva do Cristo – Novo Testamento. São Paulo: Martin Claret, 1990;

TRÊS INICIADOS. O Caibalion: estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia. São Paulo: Editora Pensamento, 2014.

WELBURN, Andrew. As Origens do Cristianismo. São Paulo: Best Seller, 1991.

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